quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Desilusão Muscular

O dano dos anabolizantes
Mais um dos posts do Gustavo, esse falando sobre o uso de doses adicionais de hormônios artificiais sem que haja uma doença carencial que exija esse tratamento. A utilização dos mesmos é feita para se obter rapidamente um efeito exagerado de ganho muscular, daria pra se escrever um tratado sobre o assunto, tem tanto aluno que pergunta sobre isso para mim que eu estou tentado em escrever um texto bom sobre o tema, acabei de fazer uma pesquisa rápida e percebi que é muito difícil encontrar na internet algo que exponha claramente os possíveis danos que esse "tratamento" pode causar. A maioria dos textos estão expostos em sites que vendem suplementos, eles dizem que anabolizantes fazem mal mas são muito pouco convincentes. Mulher gosta é de jantar fora, de receber um bom presente, de ser mimada e tratada com carinho, mesmo que você não seja o reizinho dos músculos. Pegue esse dinheiro que você está gastando em suplementos e afins e compre um belo presente pra sua namorada, garanto que ela vai gostar 10 vezes mais do que um musculinho inchado no braço. O texto está ai embaixo, e ali em cima você é direcionado para um post sobre um trabalho recente que mostra um risco real de danos devido ao uso de anabolizantes.

Se o cidadão ganha a vida com isso, por que não?

"Alguns dias eu fui atrás de uma academia, para ver se engrosso um pouco minhas artérias coronarianas e fazer companhia para minha mãe, que quer começar a frequentar também. Lá tive contato com alguns clientes excessivamente musculosos, e consequentemente com extremidades faciais, como queixo, orelhas e nariz, um tanto avantajadas.
Deu então para perceber que os clientes usufruem de um método nada apropriado para adquirir massa muscular: o uso de esteróides e outros hormônios.
Não há um ser neste mundo que não almeje um corpo de um deus grego, então muitos recorrem a estas substâncias, que são julgadas milagrosas. Acontece que muitos não sabem (incluindo a maioria dos que usam estas substâncias) o desequilíbrio que estão proporcionando aos seus respectivos corpos.
Nosso corpo é controlado por reações rápidas, que são proporcionadas pelo cérebro através de neurotransmissores, e reações de longo prazo, que são proporcionadas pelas nossas glândulas endócrinas (como a pituitária no cérebro, a pineal, a tireóide, as adrenais, as gônadas sexuais, etc.) através de hormônios que controlam nosso metabolismo, a concentração de substâncias no nosso sangue, nas nossas células, a nossa estatura e até nossas características sexuais, como exemplo os homens, que têm ombros largos e as mulheres, que têm os quadris largos pela grande deposição de gorduras nesta região.
Tudo isso ocorre perfeitamente no nosso organismo e tudo têm um por quê.
Mas o que isso está vinculado com a estética, que é o objetivo do uso destas substâncias pelos clientes das academias e também por pessoas que querem emagrecer?
A relação é simples. O caso mais comum é o de pessoas que querem emagrecer e recorrem ao seu endocrinologista. Este, por sua vez, receita um hormônio denominado TRIIODOTIRONINA (T3) ou TETRAIODOTIRONINA (T4) ou mesmo TIROXINA (pronto, agora é o momento em que você corre para ver sua receita do remédio de emagrecimento). Este hormônio é produzido naturalmente pela glândula tireóide e regula o seu metabolismo, ou seja, quanto mais deste hormônio você tiver, mais energia você gastará e mais peso você perderá. Acontece que as pessoas tomam este remédio e muitas vezes não dão atenção às consequências rotuladas pelo endocrinologista, que geralmente são: tomar doses pequenas e quando o remédio acabar, não parar de tomar diretamente, mas ir diminuindo as doses até não precisar mais de nada. Isto se deve ao fato de que seu corpo para de produzir naturalmente estes hormônios pelo excesso que o corpo detecta por causa do remédio, e quando o remédio acabar, até sua glândula mãe, a pituitária (ou hipófise), perceber e começar a secretar um outro hormônio para estimular a tireóide (TSH – hormônio tireotrófico) levará um tempo, e o paciente corre o risco de ter sua taxa metabólica baixada a ponto de sofrer uma síncope (desmaio). Bem perigoso.
Já os famosos esteróides são hormônios sexuais produzidos pelas gônadas sexuais (ovários e testículos). A testosterona é o principal hormônio sexual masculino e é produzido em células denominadas “Células de Leydig”, as quais se encontram nos testículos do homem. Este hormônio esteróide tem a função de moldar o corpo do homem, dentre estes moldes está o grande desenvolvimento dos músculos, o que atrai aqueles que querem um corpo bem “forte” e bonito. Estes então decidem tomar doses deste hormônio, mesmo tendo as glândulas que o produzem (pois geralmente são homens). O excesso então deste hormônio faz com que os músculos cresçam bastante, mas também faz com que a glândula pituitária, lá no cérebro, pare de estimular a produção deste hormônio naturalmente por um processo denominado feedback negativo ou retroalimentação (processo semelhante com o que acontece com a tireóide, dito acima). Resultado, o homem não produz mais naturalmente os seus hormônios sexuais enquanto o indivíduo estiver usufruindo deste hormônio artificialmente.
“Ah, mas qual o problema disto?”. O homem perderá seu fluxo de sangue nos corpos cavernosos e esponjoso do pênis, ou seja, ele perde a capacidade de ereção e fica impotente por um bom tempo, até a sua pituitária começar a produzir o hormônio FSH novamente, o que estimulará as células de Leydig a produzirem testosterona novamente.
Confuso, não? Mas tem lógica, afinal, tem mulheres que fofocam que quanto mais forte o homem for, menos potente ele é (o que em termos de uso de esteróides não deixa de ser verdade).
Além disso, há indivíduos que não se contentam com um corpo musculoso e uma impotência e resolvem ingerir mais um hormônio, sendo este o somatotrófico (GH – também conhecido como “hormônio do crescimento”), afim de aumentarem sua estatura, resultando em um quadro denominado acromegalia, que consiste em extremidades faciais avantajadas (agora faz sentido não é? Quando assistíamos aqueles filmes dos caras extremamente “fortes” e altos, e víamos aqueles queixões característicos).
Falei muito, mas ainda é pouco perante os problemas que as doses extras de hormônios podem acarretar. Lembrem-se, os hormônios são produzidos naturalmente e se injetarmos mais destes no nosso organismo, podem surtir efeitos indesejáveis. Consulte sempre seu endocrinologista e tenha consciência de que hormônios extras só são para aqueles que precisam, como no caso dos quadros clínicos de hipotireoidismo e hipertireoidismo."

Gustavo Lepore (anakin_lepore@hotmail.com)

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