domingo, 27 de novembro de 2011

Barbeiragem da Boa

Doença de Chagas inspira nova droga
Estava eu lá numa das escolas na qual trabalho quando meu diretor (que também é biólogo) chegou com essa notícia impressa em um pequeno papel, achei muito legal e já lhe disse: essa aqui vai para o Aopedavida. E olha só ela aqui. A nova droga do título amenizaria as lesões provocadas na pele pela radioterapia (essas lesões costumam ser graves, a dor é tanta que os pacientes não conseguem continuar o tratamento). Só isso já seria ótimo, mas o mais doido de tudo é o que uma determinada proteína do Trypanosoma, o protozoário responsável pela doença de Chagas (Carlos Chagas foi um grande infectologista brasileiro que desenvolveu trabalhos com o Osvaldo Cruz, ele foi o primeiro cientista a especificar todos os pormenores de uma doença parasitária), é capaz de impedir que colônias de bactérias formem biofilmes dentro de vasos sanguíneos cheios de placas de colesterol e facilitem um quadro de infarte (infelizmente, por enquanto, isso só foi observado em coelhos, mas quem sabe num futuro próximo...). Quem tem Chagas tem uma série de problemas, corre um risco maior de morrer de insuficiência cardíaca, o coração fica muito grande para sua função, mas dificilmente morre de infarto, que é quando uma determinada área celular fica sem irrigação sanguínea e tem suas células danificadas e, no caso do coração, substituídas por um tecido fibroso que não é capaz de responder aos estímulos elétricos responsáveis pelos batimentos cardíacos. Dependendo da região afetada o coração pode até parar, e ai é comum dizer que o cidadão morreu de "infarto". Quem diria que podíamos encontrar algo bom numa doença que afeta tantas pessoas pelo mundo, é aí que entra a maravilha da natureza, podemos encontrar nossa salvação no meio da desgraça plena, é algo bom para ficar pensando num domingo a noite.

A picada não é nada, o problema são as fezes

2 comentários:

GuH! disse...

Aí professor! Eu concordo plenamente, já achamos tanta coisa boa pra saúde e pra estética (não necessariamente para as duas simultaneamente) nas doenças apenas pelo fato de conhecê-las... o botox, a produção de hormônios e outras substâncias a partir da manipulação de genes nas bactérias, e agora isso. Muito bom.

E viu, acho que você se confundiu ao se referir ao "Trypanosoma cruzi" como verme, na verdade ele é um protozoário flagelado. Falar que ele é verme é válido pra designar que ele é maléfico ao homem, mas taxonomicamente poderíamos confundir ele com um dos organismos do filo dos Nematódeos ou dos Platyhelminthes.

Grande abraço professor!

Vinícius Camargo Penteado disse...

Fala Gustavo, tem toda razão, verme não é a melhor palavra, já mudei
Obrigado
Um abraço