Bexarotene in alzheimer's treatment - Scientific American
Eu já escrevi sobre o Alzheimer
aqui, e tratemos essa revelação que vos farei agora, como um complemento.
Um pouco defasado aqui, mas foi publicado um estudo (e seus resultados, obviamente) na revista "Science", edição de fevereiro de 2012.
Sabemos que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que se enquadra na classe das demências, correspondendo a cerca de 50% dos casos, sendo a outra metade composta pelo Parkinson ou a também frequente demência senil, dentre algumas outras.
Sua dinâmica é mal compreendida ainda, mas a fisiologia já está em nosso conhecimento, através de técnicas de necrópsia cerebral (como a da foto). Trata-se do acúmulo de placas de proteínas beta-amiloide e neurofibrilas de uma proteína denominada T (tau - do grego), ocasionando perda de sensibilidade (ou receptores de colinesterases, no termo técnico) a um neurotransmissor que tem forte atuação nas atividades cognitivo-intelectuais, a
acetilcolina. A causa dessas mudanças fisiológicas estão associadas à idade e herança genética.
Os sintomas são bem conhecidos, até pelos mais leigos. Perda de memória, desinteresse nas atividades e acontecimentos cotidianos, dificuldade de aprendizado e em casos mais graves, dificuldades na adaptação social e impossibilidade de realizar atividades rotineiras, como tomar banho ou segurar os talheres, por exemplo.
A promessa da vez é um fármaco antigo, 13 anos de uso, mas utilizado no tratamento de cânceres, como os linfomas que acomentem a pele, assim como melanomas. Seu nome é
bexaroteno.
Estudos realizados pela Universidade da Reserva de Case Western (Cleveland, Estados Unidos) mostraram que este fármaco atua concomitantemente com a Apolipoproteína E (ApoE), carreadora de colesterol (colesterol não é vilão! Veja isso
aqui) para manutenção das bainhas de mielina - placas de gorduras essenciais para a condução dos impulsos nervosos nos axônios neuronais -, formando um complexo ApoE-Bexaroteno que, ao chegar ao cérebro, "limpa" as fibrinas de beta-amiloide numa velocidade impressionante, removendo cerca de 75% destas fibrinas em 3 dias.
O estudo foi feito em ratos (
Rattus rattus) em laboratório, e teve como resultado a recuperação da capacidade de realizar determinadas tarefas antes impossibilitadas pela demência. Mas uma ressalva é importante: alzheimer em ratos é diferente, em alguns aspectos, do alzheimer humano. Porém, o bexaroteno não é maléfico ao homem, e os testes com humanos começarão em breve.