Pesquisas científicas atuais vêm enfatizando a influência psíquica como gatilho da síndrome de overtraining (excesso de treino). Essa síndrome tem sido associada à fadiga persistente, distúrbios do sono, alteração do estado de humor e da frequência cardíaca e depleção dos estoques de glicogênio muscular. Essas são algumas formas de limitarmos ganhos de massa, melhoras de performance atlética e outros fatores ligados à rendimento sejam eles físicos ou não. O hormônio responsável por esse deficit mental e físico é o cortisol, que quando liberado na corrente sanguínea quando o corpo entra em fadiga extrema, seja ela pontual ou duradoura, faz o corpo trabalhar em fase catabólica (perda).
Estímulos como estresse, má alimentação e cargas excessivas de treino estimulam a liberação do cortisol pelo córtex adrenal através de da glândula pituitária anterior. Na célula, este hormônio vai se ligar a seu receptor e vai afetar negativamente o RNA mensageiro ocasionando um aumento na degradação proteica ( perda de massa magra, músculo), impedindo assim qualquer tipo de ganho ou melhora hipertrófica, simplesmente sua evolução muscular para performance atlética fica estagnada.
O RNA mensageiro carrega informações do DNA para o ribossomo, local onde ocorre a síntese proteica. É o verdadeiro molde da síntese proteica estando, dessa forma, diretamente envolvido no processo de hipertrofia muscular .
Esses sintomas assemelham-se, em grande parte, àqueles causados por alterações da concentração de serotonina (responsável pelo controle da liberação de alguns hormônios e a regulação do ritmo circadiano, do humor, do sono, do apetite, da regulação da dor e da fadiga) no sistema nervoso central.
Portanto, o estresse psicológico promove uma alteração do balanço hormonal, diretamente associado ao overtraining. Essa alteração ocasiona a elevada liberação de citocinas pró-inflamatórias, responsáveis pelo aumento da concentração sérica de cortisol (considerado o hormônio do estresse) observada em atletas com overtraining.
O cortisol atua diretamente no sistema imune, prejudicando sua atuação. Algumas assessorias esportivas e técnicos já vêm oferecendo aos seus atletas esse suporte psíquico, essencial à prática esportiva e à vida.
Que saudade de escrever, feliz com minha volta ao pé da vida, agora voltamos com tudo!
Eis que não vos darei o desprazer de justificar minha ausência nos últimos dias, mas digamos que isto seja apenas uma elipse do resultado do que suspeitam alguns de meus entes. Mas, como prévia, vos digo: o que fiz surtiu e está surtindo resultados muitos, e repito, MUITOS satisfatórios.
E assim como a cafeína assume o lugar da adenosina nas fendas neuro-sinápticas, esse banho de endorfinas que meu cérebro tem tomado por causa desses resultados me colocou em um grau de agitação indescritível, e a única forma de canalizar essa entropia mental maluca, para mim, é escrevendo no Ao Pé da Vida.
Portanto, estou de volta. Enjoy.
Falarei hoje de música. Na verdade, tentarei casar a concepção artística da música que temos com a concepção neuro-fisiológica.
Hoje, a concepção artística da música é predominantemente difundida. A matéria "Música" não está nos currículos do ensino fundamental pelo fato de ser um instrumento de aprendizado científico, mas sim pelo fato de que ela é fundamental para o entendimento da cultura e da arte, não só nacionais, como internacionais também, ainda mais com o recente processo de globalização que o mundo tem sofrido.
Mas, ao meu ver, essa concepção artística leva o estudante do ensino fundamental a acreditar que a música é algo estritamente humano, fruto de um processo cultural que abrange toda a sociedade na qual ele está incluso. Exemplo? "Brasil, terra do samba e do futebol".
Embora essa seja a concepção mais difundida, se nós analisarmos a questão com um olhar evolutivo, chegaremos a conclusão de que a música é uma ferramenta de linguagem, ou seja, uma língua. O uso desta língua nos mostra, por exemplo, o poder da musicalidade no ciclo de vida das aves, principalmente nos períodos de acasalamento. Uma ave macho com um canto mais robusto e sofisticado (dependendo da espécie) é selecionado pelas fêmeas como o bom pool gênico para suas proles.
Aí vem o leitor com uma pós-graduação em cladística e diz: "Mas Gustavo, as aves não têm nada a ver com os humanos, sem ser pelo fato de partilharem um ancestral comum. Elas se diferenciaram dos répteis um tempo depois dos répteis terem se diferenciado da 'linha evolutiva' que daria origem a nós."
Baleias e golfinhos são mamíferos, ou seja, muito próximo de nós (pois partilhamos a mesma classe) e comunicam-se através de sons, o que atrai e intriga muitos pesquisadores das áreas das ciências biológicas, humanas e exatas.
Portanto, a música, ao longo da evolução dos hominídeos, foi perdendo espaço para o desenvolvimento da língua falada, mas não se extinguiu. Manteve-se firme ao ponto de hoje ainda conseguirmos passar para ouvintes certas sensações através da música, as quais as palavras não dariam conta de provocar.
É extremamente intrigante (e eu tenho um leve fetiche com coisas intrigantes) o fato de que nossos corpos consigam absorver vibrações do meio, de diversas frequências, e interpretá-las em nossos lóbulos temporais sensações que despertam outras sensações, como gosto, cheiro e imagem.
Quem nunca lembrou daquela viagem, ou daquele dia, ou de alguém, quando escutou uma música?
E então eu digo: atribuir uma forma de linguagem que a própria evolução das espécies desenvolveu, muito antes da própria língua falada, a aspectos estritamente culturais e antropológicos é errado. Os jovens devem aprender a música de uma forma muito mais científica do que "humanizada". Como fazer isso? Eu não sei, mas julgo ser o correto a fazer.
A música é uma ciência. Biologicamente ligada a hormônios, psicologicamente ligada a laços.
Resgatemos então algo bom da Idade Média, período que tantos julgam ter sido de estagnação científica (apesar da ciência ter evoluído na Idade Média, antes que algum radical venha comentar, essa evolução foi exacerbadamente reprimida pela Igreja). Nesta época, a música era tratada em igualdade à geometria, astronomia e aritmética, como uma forma de entender a natureza.
Eu, desde cedo, aprendi a tocar guitarra. Hoje, não deixei de tocar guitarra, e ainda expandi esse meu amor por instrumentos de corda aprendendo a tocar diversos outros instrumentos. Até cavaquinho eu tentei, mas esse não deu, minha mão é muito grande (apesar que tem uns caras que com 380kg conseguem tocar muito bem, então acho que isso não é uma desculpa).
Então, como bônus, estão aqui três vídeos, de três músicas que eu aprecio demais.
I) Música: Breaking All Illusions
Banda: Dream Theater
Álbum: Dramatic Turn of Events, 2012 Motivo: complexidade do ritmo, polirritmia, quebra de ritmo, genialidade da composição e extremo domínio de cada instrumento por parte de cada integrante do conjunto. PS: minha banda preferida.
II) Música: Struggle for Pleasure
Autor: Wim Mertens
Motivo: Nunca aprendi a tocar piano, mas ano que vem eu começo. Eu adoro músicas clássicas, e este minimalista conseguiu passar para mim uma sensação de como a vida é: começa calma e sem preocupações; assume uma ritmo acelerado, nos trazendo escolhas e exigindo maturidade; acaba de repente. PS: Não dá pra morrer sem ouvi-la.
III) Música: Aces High
Banda: Iron Maiden
Motivo: Uma música baseada na força aérea britânica durante a Segunda Guerra Mundial. A música conta com um refrão que explica genial e objetivamente a vida de um piloto durante a guerra: "Viver para Voar, Voar para viver". PS: arrepiante.
O Illacme plenipes é um diplópode raro, endêmico da região do condado de San Benito no estado da Califórnia, foi visto pela primeira vez em 1928 pelos cientistas Cook e Loomis do Departamento de Agricultura dos EUA, sendo o animal com mais pernas do mundo. Redescoberto em 2005 pelo pesquisador Paul Marek da Universidade do Arizona, o animal, que tem apenas 3 centímetros de comprimento, apresenta diferenças no número de pernas entre machos, que possuem o máximo de 562 pernas, enquanto as fêmeas possuem o maior número. Abaixo, você encontra um vídeo da BBC Brasil.
O pesquisador norte-americanos publicou com colegas um estudo sobre o Illacme plenipes em que detalha cientificamente este estranho animal. O estudo pode ser encontrado aqui. Sem olhos, a espécie vive em ambientes subterrâneos, entre 10 e 15 centímetros abaixo do solo e tem seu corpo recoberto de pelos e de uma substância viscosa. Mais informações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.
Será que os multivitamínicos trazem algum benefício para a nossa saúde? Um último estudo realizado por pesquisadores de Boston, EUA, traz uma relevante informação, principalmente para os norte - americanos, já que 1 em cada 3 utiliza compostos de vitaminas e sais minerais constantemente. A pesquisa, que contou com a participação de 14.641 homens, médicos maiores de 50 anos, entre os anos de 1997 e 2011, revelou que o número de casos de câncer diminuiu 8% para aqueles que usaram algum multivitamínico diariamente, se comparado ao grupo placebo.
E aqueles que já tiveram algum tipo de câncer foram os mais beneficiados. O estudo liberado no The Journal of the American Medical Association (JAMA), notou também que os multivitamínicos não tiveram nenhum efeito nos casos de câncer de próstata, que é aquele que mais atinge a população masculina dentre todos os tipos de câncer.
Entretanto, outros estudos anteriores sugerem efeitos negativos da ingestão dos multivitamínicos. Um estudo de 2010, com 10 anos de duração, divulgado no American Journal of Clinical Nutrition, com 35.000 mulheres na Suécia, com idade entre 49 e 83 anos, revelou que números de casos de câncer de mama foi 19% maior nas mulheres que ingeriram os multivitamínicos. Outro estudo, do Archives of Internal Medicine, do ano passado, com 38.000 mulheres, sugeriu um aumento de 2,4% no risco de morte, durante um período de 19 anos para as mulheres que tomaram diariamente multivitamínicos.
Enfim, a ingestão ou não de multivitamínicos ainda é um assunto polêmico. Eu considero que antes de tomar qualquer um desses compostos disponíveis no mercado, um médico deve ser consultado para avaliar se há a necessidade ou não de suplementar a alimentação com vitaminas sintéticas, pois, não se tem todos os benefícios ou malefícios dos multivitamínicos disponíveis.
Post curto mas super importante
Saiu mais um vídeo lá no iBioMovies, no Youtube
Esse é sobre a erva-de-passarinho, assunto esse que já tratei aqui no Aopedavida.
Visite, mas nada de trocar o Aopedavida, a ideia é que você fique fã dos dois
Pois é, o tempo passa e nosso cérebro não para
de nos atormentar: produza, produza! E, como somos sensatos, obedecemos
e botamos ele pra funcionar. Hoje eu, Caio Toledo, Cybelle Feijó e
Dilermando Santos, todos biólogos, lançamos um projeto na rede, o
iBioMovies, uma série de vídeos que trazem imagens, informações sobre vida, ciência e tudo que nos cerca. A ideia fundamental é criar
um canal de qualidade para nos comunicarmos com a maior parte de amantes
do conhecimento possível. Toda semana lançaremos um vídeo novo, sobre
um assunto diferente. Nós estamos nos divertindo e esperamos que você
também faça o mesmo. Para que nos mantenhamos sempre animados sua ajuda é
essencial, se você gostar do vídeo e do projeto curta-o no youtube,
inscreva-se no canal iBioMovies, compartilhe com seus colegas no
Facebook e curta nossa fanpage, faça comentários, visite nosso blog.
Todos eles já estão cadastrados, é só procurar. Todas as sugestões são
muito bem-vindas, nós queremos é que você ajude nosso projeto a crescer e
ficar cada vez melhor.
O vídeo de estreia é sobre as Lagostas,
esses grandes artrópodes, parentes próximos das aranhas e taturanas, que
adotam uma cor vermelha linda depois de cozidos. Aproveite
O negócio é mesmo diversificar, eu continuarei aqui no Aopedavida, esse é meu xodó, e de várias outras pessoas também. Quanto mais eu expando meu conhecimento mais feliz eu me sinto. Isso não é ótimo?
Durante o exercício intenso o desenvolvimento da "queimadura" no músculo, referida como a acidose, tem sido tradicionalmente explicada como um aumento na produção pelo corpo de ácido lático. Este "ácido lático" causa a acidose, referido como "acidose lática". A causa da acidose durante o exercício intenso tem sido um tema importante de discussão e debate com profissionais qualificados das áreas de saúde e rendimento esportivo.
Muito se fala sobre vias metabólicas para produção de energia, (SISTEMA ATP-CP, SISTEMA GLICOLÍTICO E SISTEMA AERÓBIO) todos eles atuam em determinado estágio de um exercício físico, seja ele intenso ou moderado.
Dentro das atividades físicas de intensidade alta e curta duração (45 - 90 segundos), temos a produção de LACTATO no sangue pelo sistema glicolítico, anteriormente sob nomenclatura de ÁCIDO LÁTICO.
Por que (o VILÃO) antes chamado de ÁCIDO LÁTICO é denominado agora (o MOCINHO) LACTATO?
Estudos comprovam que o ácido lático que era produzido seria o causador da fadiga muscular tardia ou não, ou seja, era feito um exercício intenso, colhia-se o sangue do indivíduo testado e chegava-se à conclusão que o ácido lático era indicador do desgaste e limitador de trabalho muscular, hoje através de muito estudo sabemos que é exatamente o contrário, o lactato é produzido, absorvido e reutilizado como substrato energético. Para maiores esclarecimentos veja aqui.
Tendo como base esse estudo de Len Kravitz para o American Journal of Physiology, durante as demandas de exercícios de alta intensidade, a célula está utilizando uma grande quantidade de glicose (através da glicólise) e glicogênio muscular (forma armazenada de glicose). O processo final de degradação da glicose resulta na produção de duas moléculas de piruvato. As moléculas de piruvato começam a acumular-se na célula, bem como os prótons (a partir da divisão de ATP), a partir do exercício intenso. A fim de neutralizar a acumulação crescente de piruvato e de prótons (a partir da divisão de ATP), cada molécula de piruvato absorve dois prótons para a sua estrutura, fazendo a conversão de lactato.Assim, a produção de lactato é efetivamente uma consequência da acidose celular e não a causa da acidose. Pra resumir, a produção de lactato, na verdade, retarda a acidose.O lactato é um "neutralizador" temporário ou "tampão" para o acumulo de células elevado de prótons durante exercícios de alta intensidade. Como o aumento na produção de lactato coincide com acidose, medição do lactato é um excelente marcador "indireto" para a condição metabólica da célula. Produção de lactato é, portanto, bom e não ruim para contrair músculo. Lactato não é uma molécula ruim, e foi dado uma má reputação de ser falsamente a causa da acidose.